Mudança de Hábitos – Técnica da Lua

Apresentação de uma técnica para modificação gradual de hábitos, a partir da influência psicológica (e cultural) dos ciclos lunares.

Muita gente já ouviu falar sobre como podemos mudar hábitos em 21 dias ou em 30 dias. Como exemplo dos textos que encontramos na Internet falando sobre isso, no rodapé deste artigo coloquei alguns artigos a respeito (*).

Esta questão dos 30 ou 21 dias para mudar não proveio de uma pesquisa com metodologia científica e sim de literatura antiga sobre motivação, autoajuda e mudança de vida.

Hoje é práticamente impossível localizar o primeiro autor que escreveu sobre isso. Talvez seja Napoleon Hill ou Norman Vincent Peale… Descobrir exigiria uma extensa pesquisa que ainda não tive condições de fazer.

Mas mesmo que não seja possível estabelecer a base científica exata, pois o número de variáveis individuais é muito grande e a interação com o ambiente é muito complexa para que se possa identificar como uma pessoa forma um hábito e exatamente em quanto tempo, o que sabemos é que a formação de um hábito é uma “construção” neurológica, a formação de novos caminhos sinápticos no cérebro. E isso não acontece em termos de dias pelo simples prazo normal de formação de neurônios e sim de semanas.

Alguns dizem que este número mágico “21 dias” foi cunhado como uma forma de motivar as pessoas – é menos do que um mês. No entanto, tenho para mim que este número 21 foi extraído da literatura esotérica e não da científica, se bem que alguns estudos matemáticos também apreciam bastante este número (**).

Os escritores de autoajuda beberam de fontes filosóficas metafísicas, numerológicas e astrológicas mais antigas. Nesta interpretação, a mente humana seria regida por um ciclo lunar de 28 dias, similar ao que rege as marés, a agricultura e a menstruação humana. Também, sobre uma interpretação numerológica, o 21 seriao equivalente a 3 x 7, sendo que o três representaria a manifestação e o 7 a transformação mágica do homem, e assim o 21 seria a culminância da mudança.

Pode ser que seja considerada uma atitude romântica, mas para mim parece útil misturar a poesia do ciclo lunar, estas reflexões numerológicas e simbólicas com a ciência dos procedimentos de mudança de comportamento.

Muito já foi pesquisado sobre como nosso corpo obedece a ciclos circadianos (diários,semanais e mensais), alguns deles solares e outros lunares. Os humores dos homens e das mulheres mudam com as estações, e não é necessário acreditar em astrologia ou numerologia para perceber que há bons períodos para fazer certas coisas – seja por contexto ambiental ou social. Além do mais, estas simbologias impressionam fortemente nossas emoções, e pode ser uma forma de nos motivar para uma mudança.

No entanto, sobre o ponto de vista da Programação Neurolinguística (PNL), prefiro interpretar a totalidade do ciclo de mudança como de 30 dias – ou pelo menos o mínimo de 28 dias, com dois dias de margem de segurança… Este é o método que costumo chamar de “Técnica da Lua”.

Escrevi um texto sobre isso antes mas vou postar aqui a versão atualizada.

TÉCNICA DA LUA
Existe um ditado antigo que, se praticarmos um novo hábito por cerca de um mês conseguiremos implantá-lo. Ou, pelo menos, modificar o hábito antigo. Baseado neste conceito – e também na modelagem de grandes homens, que ensinaram em suas biografias como aprenderam a desenvolver o próprio caráter – é que este método foi elaborado. Podemos dizer que é um sincretismo entre a sabedoria popular e a experiência de pessoas de sucesso.

Também usamos este método para desenvolver uma nova aprendizagem ou técnica, tal como aprender a digitar com os dez dedos, dançar salsa ou merengue, dirigir, falar em público etc. Essencialmente é uma técnica de aprendizagem mas que utiliza um procedimento mais elaborado, com o objetivo de harmonizar-se melhor com a forma como aprendemos, de maneira integrada, sistêmica.

Como ensino este este método? Atrelando-o à fase da Lua. Não é necessário, exatamente, que você inicie este processo no dia exato da mudança da Lua. Mas como somos seres ao mesmo tempo cognitivos e emocionais e adoramos um mistério, pode ser útil para você seguir o ciclo exato de 28 dias da mudança da Lua. De certa maneira, você estará fazendo “mágica” ou “psicomágica” e pode usar até um ritual ou cerimonial especial, se quiser.

Faça os ajustes e as alterações que julgar necessárias até que entenda bem o que significa o novo hábito. Você está escolhendo o que vai ensinar ao seu cérebro mas o seu inconsciente não tem ainda nenhum compromisso de apresentar resultados espontâneamente. Sua atitude deve ser mais cognitiva, de concentradamente usar a força de vontade, para aprender a base do novo hábito ou técnica.

Primeira Fase: Nova
O primeiro ciclo seria da germinação da vontade de mudar o hábito antigo, conscientizando-se dele e de seus efeitos deletérios. Isto pode durar mais tempo, mas convenciona-se que no mínimo dura 7 dias para conscientizar-se completamente do seu desejo de mudança. Em um paralelo com a PNL, podemos dizer que é a fase de sair da “incompetência inconsciente”.

Durante uma semana, pense sobre o novo hábito que deseja mudar. Detalhe exatamente como seria agir desta maneira e até escreva a respeito. Pratique algo do novo aprendizado, hábito ou habilidade, mas sem nenhuma expectativa ou busca de resultados, até para entender exatamente o que deseja pensar e fazer em termos de mudanças e preparar a mente para isso.

Seja racional, analise os detalhes de como proceder e ensaie repetidas vezes, sem querer fazê-lo bem – apenas entendendo e familiarizando-se com ele. Quando o hábito antigo ocorrer, apenas racional e cognitivamente pratique a substituição pelo novo hábito, sem nenhuma autocrítica a respeito. Apenas pense: “ah, é assim mesmo, estou aprendendo” ou algo assim.

Haverá um vago processo de insatisfação com os resultados mas aproveite esta insatisfação e mantenha bons sentimentos sobre ela, buscando fazer as mudanças com um humor mais lúdico.

Segunda Fase: Crescente
Durante uma semana, pratique o novo hábito de maneira tranquila, natural, divertida e sem forçar. Isto é, considere como algo lúdico. Em suma “brinque” com a mudança, de uma maneira não totalmente séria, apenas explorando como mitigar e reduzir os problemas e ampliar a melhoria.

Em termos de atitude, é semelhante a experimentar algo de forma divertida, sem compromisso com o resultado, mas também sem se esforçar para fazer certo ou correto. Deixe que o seu inconsciente desenvolva a sua atenção e foco para este tipo de atividade. Divirta-se experimentando o comportamento ou técnica – ou pelo menos o faça dentro de uma atitude de diversão…

Se o novo hábito aparecer, pense em algo agradável, tal como “OPA! Está ficando legal! Estou com vontade de fazer!”. Se o antigo hábito ocorrer, pratique pensar algo tal como “Tudo bem. Isto está mudando” e não dê muita atenção ao fato.

O segundo ciclo é a busca da compreensão e conscientização do novo hábito, assim como surpreender-se ainda agindo com o hábito antigo, mesmo fazendo esforços para mudar para o novo hábito. Sim, também poderia durar algum tempo, mas é provável que o tempo mínimo seja de 7 dias até que consigamos iniciar o processo de criar novas trilhas sinápticas. Em PNL, é o que chamamos de “incompetência consciente”.

Começará a modificar a sua identidade e tomar consciência de suas crenças – limitantes e capacitantes – e ajustar os valores para a mudança de hábito.

Terceira Fase: Cheia
Durante uma semana pratique o comportamento desejado e mantenha-se CONSCIENTE da VONTADE de que este hábito ou habilidade se manifeste. Se aparecer espontaneamene, deixe-o se manifestar. É permitido devanear sobre ele, é permitido imaginar-se fazendo, mas não se force em demasia. Em outras palavras,PEGUE-SE FAZENDO-O, mas não se preocupe em “querer” fazer.

Se o novo hábito ocorrer inesperadamente, pense em algo auto-estimulante, tal como “Ih, muito bom! Gostei dessa!”. Se o antigo hábito ocorrer, ignore-o, não o rotule. Imagine o prazer que o novo comportamento dá – isto, de certa forma, é chamado “mielinizar” o novo comportamento, o que aumenta as redes neuronais no cérebro que são responsáveis por desencadear o comportamento e que se expandem através do prazer, interesse, importância e desejo, não através da dor.

Deixe o comportamento BRILHAR através de você, espontâneamente, sem muito esforço de sua parte. O terceiro processo é o desenvolvimento e consolidação do novo hábito, tanto consciente quanto inconscientemente. Aí sim, estaríamos exercitando um hábito já definido, e sabemos exatamente como e quando devemos proceder.

Na etapa anterior uma boa parte do processo de escolha do hábito foi feita, mas ainda no nível das crenças e valores. Nesta fase, a crença de que este novo hábito é melhor do que o anterior já está firmemente instalado e começamos a desenvolver estratégias e capacidades para ele, criando padrões específicos de comportamentos em circuitos mentais úteis, tanto cognitivos quanto sensoriais. É a fase de “competência consciente”,

Quarta Fase: Minguante
Nesta semana, esforce-se para não pensar no comportamento novo. CONFIE em seu inconsciente, aceitando que este hábito, aprendizagem etc já faz parte de sua maneira de agir e se comportar.

E nem espere que este comportamento apareça espontâneamente. Mesmo se não aparecer, pense que é sinal de que ele está se INTEGRANDO e se adaptando ao todo de seus comportamentos e padrões habituais, enquanto se ajusta à ecologia de seu ambiente mental… Mas não se preocupe em reprimir a eventual ocorrência do novo hábito ou do hábito antigo. Ignore os dois.

Esta última etapa é o da internalização do novo hábito: mais sete dias para desenvolver a “competência inconsciente”.

Neste momento trabalhamos a apuração dos comportamentos, das pistas desencadeadoras e âncoras sensoriais e cognitivas que nos estimulam a agir com o novo hábito. No final do processo percebemos o alinhamento de nosso ambiente com estes comportamentos.

Após estes 28 dias – que na verdade são 7 dias de “incubação” inconsciente e mais 21 dias de prática – é bastante provável que um novo “canal” de neuroassociações tenha se formado de maneira permanente.

Diria, assim, que 28 dias perfazem o processo como um todo, mas como um limite mínimo, não um máximo, pois muitas pessoas podem tergiversar, retardar ou até desistir no meio do processo, caso não tenham procedimentos bem definidos – ou não tenham um apoio de um bom coach. E como os primeiros 7 dias são ainda da construção do desejo de começar o novo hábito, não são claramente percebidos e contados.

Assim, para quem observa do exterior do processo de mudança, desde o momento da expressão da insatisfação e do início dos esforços para a mudança, parece que só se passaram 21 dias.

Este mês de prática transforma o aprendizado de um novo tipo de ação em algo memorável, pois foi feito de forma abrangente, possivelmente em todos os níveis sensoriais.

(*) http://www.patriciamuller.com/101/dicas/experiencias-de-30-dias/
http://www.comoaprenderjapones.com/como-criar-um-habito-em-21-dias/
http://curtavida.com/forme-cinco-habitos-para-mudar-de-vida

(**)

Veja por exemplo a ideia que o “número de Deus” está na proporção áurea, provavelmente um pouco acima de 20:
https://segredosdomundo.r7.com/o-que-e-a-proporcao-aurea-conhecido-como-o-numero-de-deus/

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