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Tomada de Decisão Inconsciente: Técnica dos Dedos
Este é o texto-base de um exercício gravado em mp3, que é enviado para aquelas pessoas que precisam desenvolver uma maneira melhor de conversar com a própria mente inconsciente e assim tomarem decisões com mais facilidade, sem conflitos internos. São feitas adaptações para cada caso, mas a base conceitual é a mesma.
TÉCNICA DOS DEDOS
Você gostaria de saber sobre maneiras de se comunicar com o seu inconsciente de forma confortável e tranqüila. Isso é muito bom, pois, quando nos comunicamos regularmente com aspectos mais profundos de nosso ser, torna-se muito mais difícil somatizarmos de maneira desagradável. Acredito que pertubações físicas, quando provem de causas emocionais, são um desesperado apelo de nossas partes inconscientes, já que não estamos ouvindo-as normalmente no dia-a-dia…
Pergunto-me as vezes qual e a forma de meditação que usa normalmente… Se é um tipo muito estruturado, onde o seu você consciente fala muito e fica projetando coisas para a mente inconsciente, devo lhe dizer que isso já é bom, mas não é suficiente. O ideal e que permitamos que a mente inconsciente, o porta-voz de nossas partes ainda mais profundas e sutis, possa se comunicar do jeito que preferir, desde que seja algo realmente gratificante para os dois aspectos complementares de nossa mente.
Meditar é o que o nome diz… servir de meio, de instância média entre partes que normalmente estão separadas… E aproxima-las, não necessariamente através do uso de “palavras especiais” ou focalizando a atenção em determinados tipos de pensamentos. E meditação não e relaxamento. Relaxamento e só uma preparação, uma primeira parte, útil e adequada, sem duvida, mas não substitui, de maneira alguma, a verdadeira meditação.
Sugiro que você tenha uma sessão de relaxamento especifica para relaxar… O que? Isso mesmo. Relaxamento é relaxamento, algo muito bom para o corpo, e um corpo relaxado facilita que a mente possa meditar. Mas, às vezes, preocupamo-nos tanto com o relaxamento que esquecemos da verdadeira meditação.
Em momentos diferentes, ocupe-se de meditar… Esta meditação pode começar com um pequeno relaxamento, nada muito especial. Mas o principal e que, neste momento, paremos para ouvir a mente interior, a parte do nosso “iceberg” mental que está por baixo do nível da consciência objetiva…
E como devemos “ouvir” essa mente interna? Da maneira mais simples possível. O principal e a atitude emocional, uma disposição amigável, realmente interessada em entender e compreender estas partes mais profundas. Para alguns, pode ajudar visualizar esta conversa como se estivesse na presença de um Grande Ser interior ou na forma de uma Assembléia de Aspectos do Ser, composta de inúmeras “seções de ser”, cada uma representando um dos papéis que compõem a Identidade Pessoal.
Detalhe: reiteramos que não devemos confundir esta experiência com um contato com algo “fora de nós”. E preferível que compreendamos que todos estes aspectos internos são isso mesmo, aspectos, facetas do diamante multifacetado que é a mente humana.
Existe uma forma poderosa de estimular esta “conversa” interna, de modo a entendermos de forma mais fácil as respostas a perguntas especificas que possamos fazer. Podemos atribuir a cada uma destas partes internas o comando de uma parte do corpo. Isso pode parecer a algumas pessoas algo desconfortável, mas é isso que se da normalmente no dia-a-dia, quando somatizamos alguma emoção ou reação do momento. Ao levarmos um susto, por exemplo, nosso estômago dói, nossa boca fica seca. Determinadas partes do corpo acusam principalmente a tensão, a resposta emocional. Porque não usar isso então como uma vantagem, de forma positiva e intencional? Se é desta maneira mesmo que o nosso corpo interage com a nossa mente, não precisamos ficar apenas aguardando que o nosso corpo nos transmita mensagens do inconsciente. Podemos tomar a iniciativa da conversa.
Uma maneira interessante de fazer isso é atribuindo o controle de um dedo da mão menos forte (isto e, menos consciente ou menos destra) para um destes aspectos menos conscientes. E como se faz isso? Apenas pedindo que este mexa o dedo (ou apresente uma sensação diferente), como resposta a uma indagação direta. Não importa muito os detalhes de como vamos pedir isso a essa parte. O importante é fazê-lo com sinceridade e esperar com paciência que estas partes internas se ” adaptem” a esta forma especial de se comunicar… O que pode levar alguns minutos.
O melhor do que falar muito a respeito é experimentar. Não é difícil entender o processo, depois de testar algumas vezes. E o incremento em capacidade de comunicação mental é imenso, surpreendente, mostrando que nossas partes internas percebem quando abrimos espaço para o diálogo. E isso pode fazer com que a somatização indevida desapareça como por encanto.
Metas de Vida – Life Coaching
Abaixo uma apresentação em slides sobre Metas de Vida.
Os 5 Recursos da Vida
Várias pessoas lêem na PNL que possuimos todos os recursos necessários, em nossa mente consciente ou inconsciente, para obtermos tudo que desejamos.Tal afirmativa, além de parecer auto-confiante demais, conflita com a visão pessoal e a frequentemente baixa auto-estima de muita gente. Elas pensam: “como assim eu já tenho dentro de mim tudo o que preciso? Eu já sei a resposta de todos os meus problemas? Vasculho dentro de mim e não acho nada… “.
Este tipo de dificuldade é usual. A afirmativa pura e simples “Confie na mente inconsciente”, um truísmo muito usado pela Neurolinguística, faz com que várias pessoas ou se arrisquem sem muita base em um novo projeto ou, ao contrário, quedam-se inermes, esperando infrutíferamente que algo aconteça, ou um “gênio interior” assuma seu corpo e sua mente para resolver todas as questões necessárias, urgentes e pendentes de suas vidas…
Vamos analisar um pouco mais esta afirmação. Quando a PNL diz “você já tem dentro de você tudo o que você precisa” visa fazer com que o indivíduo se focalize em suas próprias habilidades e capacidades, e não em suas limitações. Isto é um truísmo – porquê é óbvio que todos nós devemos e iremos resolver nossas questões de vida a partir dos recursos, habilidades, competências, conhecimentos e oportunidades de que dispomos, seja agora, seja daqui a pouco, com o esforço de ampliação destes mesmos recursos, habilidades, competências, conhecimentos e oportunidades que conseguirmos obter.
A intenção é redirecionar a mente para aquilo que é realmente eficaz – agir a partir do que se tem – ao invés de apenas suspirar pelos cantos, ansiando pelo que não se tem. Não obstante, mesmo assim, algumas pessoas continuam obcecadas pelo que lhes falta. Ficam historiando suas falhas e fazendo um rol de acontecimentos tristes passados que justifiquem as suas limitações e bloqueios. Isso acontece muito em situações de coaching, isto é, situações onde estamos orientando pessoas para definir metas e estabelecer projetos de melhoria em suas vidas pessoais e profissionais.
Definir um projeto de vida é dependente daquilo que está motivando e interessando o indivíduo no momento – e isto pode ser um fio da meada para que se façam progressivas mudanças pessoais, profissionais e comportamentais que acabem se tornando bem radicais, que modifiquem completamente a vida em um período de dez ou quinze anos… É claro que este tempo permite que uma pessoa se engaje em uma busca objetiva pelas habilidades e recursos que ainda lhe falta e, assim, consiga chegar a um ponto de melhoria bem além do que sua imaginação possa abarcar no presente.
Para “baixar a bola” um pouco da angústia que acomete nestas horas, sempre sugiro que se escolha apenas um projeto de vida, não o projeto de vida. E comprometendo-se com ele por um período pequeno, digamos apenas três meses, e não para o resto da vida, cada um pode experienciar em si a sensação de se focar em plenitude, sem objeções. Experimentar se motivar é um pouco como uma experiência de faz-de-conta: faça de conta que você tem certeza de que aquilo que você está fazendo é aquilo que sempre sonhou…
Isto é, aceite as suas habilidades múltiplas e pense em como fazer uma sinergia entre estas habilidades, desenvolvendo uma especialidade só sua. Não se preocupe, por exemplo, em preencher um escaninho pré-fabricado de emprego – pense primeiro em você, em como você tem um misto de capacidades suas, e como vendê-las às instituições, dando a elas o que elas querem, através da forma como você quer.
E o que isto tem a ver com a frase “você tem dentro de si mesmo todos os recursos que precisa”? Esta frase nos redireciona a confiar que aquilo que nós não temos, somos capazes de desenvolver. E o ponto principal em mente é o que chamamos de recursos. O que são recursos? São tudo aquilo o que podemos lançar mão para fabricar aquilo de que precisamos. Recursos não são necessáriamente soluções prontas, e sim matéria-prima para engendrarmos soluções específicas. Quando estiver vasculhando a sua mente interior na busca de recursos, não espere encontrar soluções prontas, pré-fabricadas.
Percebi que nossos recursos clássicos são aquilo que genéricamente chamamos de dimensões ou parâmetros, aqueles eixos da escala de medida com os quais costumamos avaliar os resultados de alguma coisa. Quando medimos algo, normalmente usamos o tempo e o dinheiro como escala, correto? Vários parâmetros medem maneiras de avaliar um determinado processo de atingimento, sendo que alguns parâmetros só servem para máquinas, tais como o potencial elétrico ou a tonelagem por metro quadrado. E os parâmetros da escala humana normalmente são o Tempo, o Dinheiro, o Esforço, o Conhecimento e a Atenção.

Tempo, dinheiro e esforço são fácilmente mensuráveis, mas conhecimento e atenção não. Isto acontece porque são atributos primeiramente mentais, sendo o conhecimento mais pertinente ao hemisfério esquerdo e a atenção (e o interesse, a motivação e a expectativa, imbuídos nela) mais pertinente ao hemisfério direito do cérebro.
Quando focalizamos que o desenvolvimento de uma habilidade ou competência é fruto do balanceamento pessoal da aplicação destes cinco recursos básicos – ou recursos-fonte, se assim o preferir – despersonalizamos a idéia de limitação pessoal.
Se para um projeto específico precisamos desenvolver um conhecimento ou tecnologia que não temos, basta se perguntar: “posso dispor do tempo (físico externo, em relação a uma data pré-estipulada), dinheiro (social), esforço (disposição e energia física) e atenção (motivação e energia emocional) suficientes para alcançar este nível de conhecimento? “.
Este questionamento nos faz perceber que devemos aprender a fazer equilíbrio dos recursos. Isto é, se aplicarmos todo o nosso tempo e dinheiro disponível para obter uma meta, é claro que faltará recursos para outra, mesmo que nos sobre esforço, conhecimento e atenção…
Algumas vezes os recursos podem ser intercambiáveis – se só podemos investir pouco dinheiro, devemos investir mais tempo, esforço e atenção para obter o conhecimento necessário para alcançar o que desejamos. Na maioria das situações, contudo, é necessário alocar um pouco em cada uma destas cinco dimensões ou parâmetros, se realmente queremos ser realistas em nossa busca de resultados.
Este processo de analisar a apropriação dos recursos nos auxilia a estruturar nosso planejamento de vida e nossa estratégia de realização, bem como nos proteger das supostas limitações que reconheçamos em nossa personalidade e ambiente.
“Valorize seus pontos fortes e proteja seus pontos fracos” dizia a sabedoria antiga dos índios Sioux. Focalize a atenção naquilo que você tem de melhor, através dos cinco recursos de vida que todos nós usamos e, daquilo que você tem pouco, compense com aquilo que você tem muito.
Os Sioux também diziam: “e saiba usar bem a sua imaginação, a seu favor, e não contra você”. Não queriam dizer com isso apenas que se pode transformar os pensamentos de derrota e fracasso em pensamentos de sucesso apenas com a prática imaginativa, com o uso de imagens mentais. Isso é possível e viável, mas é importante destacar que os pensamentos de fracasso se tornam parte do problema e que modificá-los é, também, parte da solução.
A análise dos cinco recursos são uma mágica arca do tesouro dentro de sua mente inconsciente. Acompanhados de uma ação de sucesso, a redistribuição dos recursos é uma atitude pro-ativa mais genérica, que nos permite ter mais confiança na capacidade de auto-melhoria – ou de auto-ajuda, apesar de alguns não gostarem desta palavra…
Os pensamentos sobre o processo de mudança se tornam mais pragmáticos e organizados, criando sensações de bem-estar. E assim torna-se mais fácil estruturar uma linha de ação para a solução dos problemas, abrangendo os aspectos físicos, sociais, emocionais e cognitivos, de uma maneira sistêmica.
Antonio Azevedo
Organização Pessoal e Profissional
Algumas vezes me perguntam sobre o que faço. Digo que faço consultoria e dou palestras sobre Criatividade e Resolução de Conflitos, Tomada de Decisão e Solução de Problemas e Organização Pessoal. Criatividade, Conflitos, Decisão, são nomes auto-explicativos. Mas Organização Pessoal ainda deixa dúvidas. Por isso pretendo escrever um pouco mais sobre o que é isso.A Organização Pessoal é um nome genérico. Existe um movimento de reorganização do tempo, do trabalho e da comunicação de equipes que atualmente está na moda, e que possui o nome GTD. Este engloba dicas para a reorganização, tanto pessoal quanto profissional, como também discute a reorganização do trabalho de equipes e organizações.
O mundo está caminhando cada vez mais rápido, e não é mais suficiente acelerarmos o passado. A tecnologia cada vez mais mutável, o fluxo de informações cada vez maior…. E a maioria das pessoas ainda quer trabalhar usando sistemas e procedimentos inventados na (e adequados para a) década de cinquenta.
Até o sistema do computador pessoal, que parece um modo de trabalho tão inovador para a maioria das pessoas, está fadado à obsolescência rápida. E o e-mail, método tão prático de comunicação? Já é caquético. Ah, você vai dizer que os sistemas de chat e comunicação online é que são o futuro, não é? Não, apenas ecos do passado.
A tendência de guardar documentos vitais online, ao invés de nos micros pessoais, que tanto defendo, é apenas uma das facetas. Leia o post anterior sobre HD virtual, que talvez explique isso melhor.
O importante é que as empresas estão procurando sistemas eficientes e nenhuma das formas mencionadas são, efetivamente, sistemas colaborativos de trabalho. Facilitam a comunicação, mas dificultam o trabalho a longo prazo – informações são espalhadas por pessoas de forma desorganizada, a forma de buscar os dados é complexa e não intuitiva. A tomada de decisão é prejudicada, os acordos e contratos são vagos, e tudo isso prejudica o trabalho.
Já ocorreu a robotização do trabalho nas fábricas. Estamos agora caminhando para a robotização do trabalho nos escritórios. E não adianta reclamar e chorar, pois o tempo não volta atrás. Acredito que é muito melhor ficarmos conscientes do que está sendo feito e nos ajustarmos às mudanças de forma ágil.
Um dos pontos importantes a destacar é que o futuro do trabalho será feito através de programas online. Mas não sistemas abertos, genéricos, como se fossem conversas online, tal como o email e os sistemas de bate-papo online permitem. Será mais como formulários, ferramentas mais estruturadas, interfaces para se clicar, apertar em sites – com acesso por computador, smartcard ou celular.
As informações serão todas guardadas em sistemas centralizados – curioso é que a informática começou assim, em servidores, e depois se fragmentou, em desktops. E agora tende de novo a se reagrupar, pois a informação é tão dinâmica e valiosa que é muito arriscado mantê-la na posse de somente um pequeno e frágil computador, sem backup e gerenciado por um não-técnico. Os computadores portáteis vão diminuir cada vez mais, até o tamanho de pulseiras, provavelmente, e servirão basicamente como entrada e saida de dados. Teremos as “jóias eletrônicas”…
O processo de organização do trabalho parece estranho, pois só agora possuimos desenvolvimento tecnológico para tornar isto uma realidade. Quer ver uma prova disso, bem recente? Veja o que aconteceu em Brasília, com o incêndio do prédio do INSS. Alguns desconfiam que foi uma literal “queima de arquivo”.
No entanto, aquilo que seria uma tragédia para todos os aposentados do Brasil, se fosse uns vinte anos atrás, hoje em dia é apenas uma perda menor. Isto porquê todos os dados sobre aposentadorias não estão em papel, e sim guardados em servidores ultra-seguros, e com redundância imediata de dados, em várias cidades do país. O ideal, até, é que houvesse um backup do outro lado do mundo, não é? Mas em breve isto deverá ser feito…
Quando falo em organização pessoal, falo em acompanharmos esta tendência social, ao invés de resistirmos ou a ignorarmos. Falo de nos prepararmos para usufruir dos benefícios desta nova maneira de pensar. Para quê se preocupar com ter micro? O importante é dispor dos dados, e trabalhar de onde quisermos, da maneira que for mais fácil e confortável, com total segurança – ou, pelo menos, uma maior segurança e rapidez de resgatar os dados do que da maneira convencional.
Hoje em dia existem vários sistemas – pagos e gratuitos – que podem dar a qualquer pessoa um gostinho de trabalhar de forma mais dinâmica. Sistemas de controle de tarefas, sistemas de escritório online – na prática isto sempre foi uma tendência, mas o custo era excessivo para a maioria das empresas. Hoje, não, esta tecnologia está disponível para qualquer pequena empresa – e até microempresas e profissionais liberais. É uma nova tendência, e saber acompanhá-la é importante.
Um dos propósitos deste blog é comentar os sistemas online que estou experimentando. Como um “early adopter” (usuário que adora novidades, vamos traduzir assim) venho testando principalmente sistemas de baixo ou de nenhum custo, e que podem ser experimentados por qualquer pessoa. Em breve postarei mais sobre cada um.
Auto-Estima e o Conceito do Eu
Do que depende a realização pessoal e a capacidade de manter boas relações interpessoais? Durante os últimos quarenta anos de pesquisa contínua sobre os mecanismos do sucesso, descobriu-se três principais fatores:
* Auto-Estima
* Auto-Confiança
* Auto-Realização
Estou escrevendo três artigos sobre estes temas. Neste primeiro artigo falaremos de Auto-Estima.
A Auto-Estima é uma questão candente em nosso mundo moderno, onde a profusão de informações novas a cada momento, a intensa competitividade e a ênfase no sucesso solapa a nossa crença em nossa capacidade pessoal de resolvermos as situações de vida.
A questão é que, culturalmente, baseamos a nossa Auto-Estima pelo passado, pelo que já fizemos.
Se nos avaliarmos pelo que fazemos ou deixamos de fazer, pelo que possuímos ou deixamos de possuir, isto é, pelos resultados que obtivemos da vida em vários aspectos ou áreas de atuação, é natural que nossa Auto-Estima sofra altos e baixos, de acordo com a área que seja objeto de atenção.
O Universo é mutável, é ilógico esperar que fique “congelado” permanentemente em uma situação determinada, favorável ou desfavorável a nós, em uma síndrome do “felizes para sempre”, tão comum nos contos de fadas…
Isto cria, em muitas pessoas, um “medo de perder” e um “medo de não conseguir”. São, em última análise, crises de Auto-Estima. A solução para isto pode ser percebermos que a sensação interna (sentimento) que chamamos de “o nosso valor pessoal”, que surge quando prestamos atenção em nossa identidade, é apenas uma escolha que fazemos, por nós mesmos, ao longo da vida. E que, quando nos habituamos a “dar notas” (que se traduzem em intensidade deste sentimento) através do que observamos em nossa vida, estamos confundindo a parte com o todo, comparando coisas heterogêneas, um verdadeiro contra-senso.
O conceito de “valor” é sempre relativo, nunca absoluto em si mesmo. Algo é julgado “bom” ou “mau”, tendo valor ou não, sempre decorrente de algum uso, avaliado por algum observador externo a ele. Isto é, valor é um conceito que depende do uso de algo, em determinada situação. O dinheiro, por exemplo, é extremamente valioso em uma cidade – e totalmente sem valor se estamos sozinhos em um deserto. Neste caso, um cantil d’água torna-se muito mais valioso.
O julgamento de bom ou mau, perfeito ou imperfeito, representa sempre uma consideração subjetiva de características de cada objeto, um ponto de vista apenas. O nosso valor pessoal, como identidade que somos, é sempre máximo, pelo simples fato de existirmos. Não é mensurável. Somos uma manifestação do Universo.
Tudo o que existe, sob o ponto de vista da inteireza do Universo, não pode ser avaliado pela dimensão de valor, por duas razões: primeiro, porque não podemos julgar o uso de nós próprios como um todo, em todos os contextos possíveis; não possuímos todo o conhecimento do universo, para avaliar em que estamos sendo “mais ou menos úteis”.
E, também, porque fazemos parte da coisa avaliada; existir é sempre uma característica dicotômica, uma questão de “sim” ou de “não”; não se pode dar notas graduais para isso. Em suma, se um aspecto do Universo está sendo considerado como um todo, sendo levado em consideração em sua totalidade sistêmica, não pode ser julgado como tendo “mais” ou “menos” valor do que a totalidade do Universo. Seja este aspecto sistêmico uma coisa, pessoa ou fenômeno, o seu valor de Ser é sempre máximo. Em outras palavras, o conceito de valor não se aplica.
Quando efetivamente sentimos isso como uma realidade em nossa consciência, a questão da auto-estima pode ser discutida em outro nível. A cultura judaico-cristão, da qual fazemos parte, nos inculcou a idéia de valor pessoal e de pecado original. Nascemos “devedores” e tendo que “tornarmo-nos dignos” para “ganhar” o céu. E isso é decidido no “juízo final”. Culturalmente, começamos já em uma situação desvantajosa – todos começam assim com baixa auto-estima e devem ganhá-la ou conquistá-la.
Aqueles que esperam conquistá-la tornam-se mais proativos no mundo, buscando aumentar a sua sensação de valor pessoal; aqueles que esperam ganhá-la costumam ser mais reativos, aguardando que outros reforcem a sua sensação de valor pessoal. Isto acarreta vários sintomas, provenientes da ilusão de que devemos “aumentar a nossa auto-estima”.
Há os que buscam aparentar, para si e para outros, uma auto-estima “menor”. Seu comportamento é cabisbaixo, sua ação é desleixada; seu relacionamento é de submissão. Atraem a pena e a proteção de uns e a rejeição de outros. E há os que buscam aparentar uma auto-estima “maior” do que outros. Seu comportamento é arrogante, sua ação é agressiva; seu relacionamento é de manipulação. Atraem admiração de uns e ressentimento de outros.
O enfoque no aumento da auto-estima como solução de problemas psicológicos, interpessoais e até empresariais, tão divulgado hoje em dia, decorre desta distorção de compreensão gerando, inclusive, uma busca vã. Não importa quanto mais nos esforçamos para fazer e obter coisas que nos “aumentem” a auto-estima, sempre poderemos pensar em algo mais a ser feito, gerando assim mais ansiedade e melancolia.
Se, em contrapartida, pelo simples fato de existir, temos total e integral importância e significado – não valor, que implica mensuração e sim razão para existir, dignidade e respeito próprio – a auto-estima deixa de ser considerada algo com que devemos nos preocupar e torna-se natural, não perceptível. A sensação de importância pessoal, se igual para todos, é invisível. Paramos de tentar nos tornarmos “mais importantes”, já que todos são igual e perfeitamente importantes, apenas pelo fato de sermos uma manifestação pessoal do Universo.
A Auto-Estima representa a nossa relação emocional conosco mesmo, nossa auto-aceitação. A auto-estima é consistente quando sentimos que somos importantes pelo que efetivamente somos, independentemente do que fazemos ou deixamos de fazer.
Ser, Fazer e Ter
A maioria das pessoas lastreia a sua Auto-Estima em suas sensações pessoais do TER, isto é, aquilo que conseguiram amealhar na vida. O TER pode ser representado em termos de posses pessoais, mas também em termos de relações – ter muitos amigos, receber muitos telefonemas – e outras manifestações exteriores de sucesso.
Para este grupo, parece evidente notar que a sua auto-estima terá altos e baixos: como a sua sensação de amor-próprio depende de referências externas, do feedback que recebe de outras pessoas, e isso é necessariamente mutável, jamais terão uma certeza absoluta de seu valor pessoal. Freqüentemente passarão por fases de insegurança e insatisfação. Grande parte da população vive assim; na perpétua afirmação de seu status social, perante os olhos dos outros, buscando em comprar e ostentar uma oportunidade de valorizar o seu ego…
Existe também aqueles que baseiam a sua auto-estima em uma forma mais ”pró-ativa” de viver, isto é, em suas sensações pessoais de FAZER. Para essas pessoas, um grupo bem menor, não conta tanto o feedback externo, o indício de posses, e sim em estar fazendo o que gosta, trabalhando a sua ”realização pessoal” e estar envolvido em tarefas que representem a manifestação de sua individualidade.
Encontram-se aí pessoas mais auto-orientadas, que utilizam feedback interno como forma de aquecer a fornalha do amor-próprio. Tais pessoas, mesmo em épocas de crise, continuarão a trabalhar de forma intensa naquilo que acreditam ser o correto fazer. Mesmo assim, por não levarem em conta o feedback externo, por vezes parecerão obstinadas, teimosas, cabeças-duras, persistindo em realizar algo que não é mais viável, trabalhando em um produto que não tem mais compradores ou mantendo a mesma forma de atuar, mesmo que as situações mudem… Vemos neste grupo muitos empresários, empreendedores, camelôs, atores, artistas plásticos, artesãos, alguns tipos de vendedores.
O terceiro grupo, que de longe é o menos populado, baseia a sua auto-estima não no que conseguem do mundo – Ter – e também não naquilo que oferecem ao mundo – Fazer. Este grupo atua de forma equilibrada, buscando identificar o seu lugar pessoal no mundo, isto é, como a sua individualidade se ajusta à “globalidade” e como aquela serve à esta. São pessoas baseadas no SER.
Contudo, estar “baseado no SER” não é ficar absolutamente parado, estático, vivendo uma vida alheada da busca de coisas materiais, em uma busca espiritual de comunhão com a divindade. Ao contrário, é agir sim, e realizar algo. Mas realizar com a expressão de si próprio, de forma autêntica. Estas pessoas buscam uma forma de equilibrar o lado “pró-ativo” com o lado ”reativo” da personalidade.
Isto se obtém alinhando aquilo que o mundo dá com aquilo que se doa ao mundo, de tal sorte que estejamos criando algo que nos dê satisfação pessoal e ao mesmo tempo auscultando as respostas positivas que o mundo nos devolve. O objetivo final é oferecer aquilo que o mundo precisa mas apenas dando em troca aquilo que realmente desejamos oferecer ao mundo…
É difícil pertencer a este último grupo, pois a Auto-Estima é um sentimento de valor pessoal. E a busca deste equilíbrio entre “o eu e o mundo” passa por altos e baixos. O que fazem as pessoas que buscam alcançar este “estado essencial”, de foco apenas no SER, ao invés de no FAZER ou no TER? Abraçam uma postura de vida que advoga que possuímos um EU interno, especial, em comunhão com a Universalidade, não importa se existe uma crença em um Deus ou não. E passam uma grande parte de seu tempo se esforçando para desenvolver esta “individualidade com responsabilidade universal” – uma espécie de visão ética da vida, mais do que apenas uma visão religiosa.
Isto requer uma nova percepção de nossa Identidade, como realmente integrada ao Cosmos, uma perspectiva realmente sistêmica. E como se obtém uma mudança de percepção em um nível tão profundo de nossa personalidade? Os primeiros passos são simples:
Autoconsciência – observe-se e identifique os momentos, no seu dia-a-dia, em que você começa a julgar-se pelo que tem e faz, atribuindo a si mesmo pontos de valor. Compreenda que este é um hábito cultural, e como tal deve ser tratado. Não adianta recriminar-se por isso, porém. Apenas registre este momentos e aceite que esta maneira de pensar pode e deve ser corrigida.
Auto-Escolha – decida e pratique compreender que a existência é uma possibilidade de Ser, mais do que Fazer ou Ter. Medite, leia e fale à respeito. Comporte-se como se assim fosse. Exercite pensamentos e palavras neste sentido.
Auto-Superação – quando a prática da auto-escolha se tornar confortável, quase automática, busque maneiras de encontrar sensações de satisfação no que realiza, sem que eventuais flutuações nos resultados obtidos traga dúvidas sobre o verdadeiro Ser.
Nossa Missão Pessoal no Universo é principalmente aprender a Ser da melhor maneira possível, não “Fazer ou Ter o máximo possível”. O que executamos ou criamos, em nossos resultados pessoais, são conseqüências do nosso SER sendo expresso em plenitude. O julgamento e avaliação de nossos resultados pode nos orientar em nosso exercício de Ser; isto é, o Fazer e o Ter são apenas formas divertidas de que dispomos, ao interagir com o Universo, para que possamos experimentar várias formas de Ser.
Neurologicamente a prática destes estados internalizados produzem mais endorfinas e outras substâncias cerebrais relaxantes, anestesiantes, euforizantes e estimuladoras do sistema imunológico, o que já é um excelente benefício. No entanto, com exceção de poucos ascetas, a maioria de nós precisa, mesmo assim, conviver em um mundo externo competitivo, que em sua maioria manifesta suas preferências pelo feedback negativo… . E avaliar a si com o mesmo e imutável valor, independente do que fazemos e do que temos é, reconheço, praticamente impossível.
Por mais que meditemos no alto das montanhas do Tibet por vinte ou mais anos, nossa consciência individual continua a criar distinções e julgamentos próprios, aprovando-nos mais ou menos, de acordo com as situações da vida – aquilo que FAZEMOS e TEMOS.
As perspectivas atuais do conhecimento da psique nos levam a crer que o EU individual não existe, pois é um substrato do processamento neurológico. Seja isto verídico ou não, isto pode ser útil à análise da Auto-Estima.
A corrente de pensamento que advoga a hipótese da mente como apenas um processo sistêmico, com uma parte cognitiva e outra comportamental, está sendo bem aceita pela ciência moderna, pois é ratificada nos experimentos de laboratório. Esta é uma certeza factual, e a experimentação científica, inegavelmente, nos auxilia em nossa compreensão da realidade.
As vertentes mais “ousadas” desta corrente advogam que, se nossa mente é apenas um processo, ela pode ser “manipulada” de forma benéfica, e assim podemos nos “reconstruir” ao nosso bel-prazer… Sendo assim, nenhum tipo de limitação do tipo “é assim que eu sou” deve ser encarada como algo permanente, a não ser que exista uma forte razão neurológica para esta resignação.
As técnicas de Controle Mental e Programação Mental, desde relaxamento, meditação até a hipnose, a PNL (programação neurolingüística), a PNO (psico-neuro-orientação), e outras com variados nomes, que caminham na corda bamba entre linhas mais espiritualistas e a visão mais pragmática da TCG (terapia cognitivo-comportamental) buscam operacionalizar este tipo de abordagem.
A grande questão é: como dirimir o conflito entre a experimentação científica, que nos diz que não há evidências de que possuímos um “Eu” interno, e sim de que somos uma colcha de retalhos, um mosaico, fornecido por padrões de pensamentos amealhados aqui e ali, em nossa história pessoal, e a visão filosófica de uma conexão profunda em nosso interior com a divindade, aquilo que nós chamamos de nosso “Eu Pessoal”? E como aplicarmos esta reflexão para melhorar o nosso próprio sentido de valoração pessoal, aquilo que é entendido como auto-estima, um dos principais problemas que afetam o indivíduo em nossa cultura moderna, e cuja falta acarretam tantos problemas de desajustes psicológicos, depressões, ansiedades e neuroses?
A resposta pode ser respondida através da metáfora, já conhecida, comparando a nossa sensação pessoal de “eu” com o centro de gravidade, que é meramente uma hipótese científica, não um fenômeno verificável. Sabemos nós que a gravidade da Terra, como uma grande massa, nos atrai para o seu centro. Contudo, não existe um “algo”, localizado especificamente no centro da Terra, que nós encontraríamos, se por acaso fosse possível que caíssemos até chegar lá. A força gravitacional é uma resultante do efeito da presença de uma grande quantidade de partículas no espaço – o ”centro de gravidade” está ali pela interação entre as partículas que estão ao redor, mas não é uma “partícula” real.
Da mesma maneira, a grande massa de pensamentos, sentimentos, conceitos e crenças em uma estrutura complexa – que chamamos a “mente pessoal” ou personalidade de um indivíduo – por si só gera uma resultante que podemos chamar de “Eu pessoal”. Este Eu NÃO é nenhum destes pensamentos em si mesmos, e nenhum conceito, idéia, sentimento ou atitude é identificado exatamente com ele. Podemos trocar nossos pensamentos, nossos sentimentos, reestruturar totalmente nossa personalidade, como preconizam os métodos de mudança comportamental – e podemos fazer isso porque nada disso é, realmente, o “EU”, pertencendo apenas à periferia de nosso “orbe mental”. Na verdade este EU é uma resultante da INTENSIDADE do mundo mental, não do CONTEÚDO do mundo mental em si mesmo.
Como exemplo, poderíamos substituir no planeta Terra quaisquer quantidades de massas, sejam planetas, cidades inteiras, por outras quaisquer, de posição, e até trocar grandes toneladas de massa da Terra por grandes toneladas de massas de outro planeta, tal como Marte, como irá acontecer algum dia, quando houver comércio interplanetário. Mesmo assim, o centro de gravidade da Terra, as “essências de Gaia”, poderiam chamar assim, continuaria sendo a mesma. Poderia haver leves mudanças de intensidade de manifestação do campo gravitacional do planeta, mas ele continuaria a existir.
Aceitando esta linha de reflexão, poderíamos aceitar a existência, de forma científica, de um ”centro de gravidade mental” intitulado o “EU Individual”. Isto tornaria mais fácil trabalharmos com técnicas meditativas de expansão da consciência do EU, pois saberíamos que estaríamos nos alinhando com o nosso verdadeiro fulcro de equilíbrio, independente de quaisquer pensamentos, sentimentos, atitudes, crenças, conceitos e pré-conceitos porventura existentes em nossas mentes. E aceitaríamos melhor, sem julgamentos, conviver com pensamentos e sentimentos inadequados, em nosso mundo mental, pois mesmo que eles não sejam os melhores possíveis, de alguma maneira eles estão contribuindo para criar um maior “peso” em nosso mundo, e devem possuir uma função específica para nós. Devem ser modificados e melhorados, nunca rejeitados.
Com esta compreensão, fica muito melhor trabalharmos os conceitos de Auto-Estima. Se nos esforçarmos para nos dar “notas” de Auto-Estima pelo que TEMOS ou pelo que FAZEMOS, estaremos em uma perpétua roda de insatisfações e ansiedades. E mesmo quando nos concentramos apenas no que SOMOS, permanecemos nos julgando pelo conteúdo de nosso mundo mental. Nem sempre é possível alinhar a contento aquilo que gostamos de fazer, de realizar, com aquilo que o mundo nos pede, ou nos exige que façamos. De qualquer modo, apesar de ser uma forma de atuação mais desejável, estar permanentemente focado no SER ainda é sujeito aos altos e baixos da vida.
A melhor forma é percebermos como o nosso Eu pessoal é apenas uma resultante de forças, independente e separado de todo o conteúdo de nosso mundo mental. Isto é, se temos preferências, vontades, desejos, impulsos artísticos, vontades de ter, fazer e ser em nosso mundo mental, estes CONTEÚDOS são válidos e devem, com justeza, serem postos em prática no ambiente físico, material. Se conseguimos manifestá-los, ótimo. Se não o conseguimos, a compreensão de que o nosso EU apenas se manifesta através deles, mas não são intrinsecamente eles, nos permite dispor da tranqüilidade necessária para reavaliar as situações, reestruturar as nossas respostas e continuar atuando da melhor forma possível, sem nos deixar solapar por uma sensação de auto-comiseração, de desvalorização pessoal.
Continuando a analogia, isto nos faz entender como a presença do EU pessoal, mesmo não sendo material em si mesmo, possui uma tão poderosa influência em todos os pensamentos, sentimentos, atitudes que orbitam em sua esfera de influência. Ele atua como um centro de gravidade, suavemente direcionando, puxando, orientando…É um melhor entendimento do que significa a palavra “estar equilibrado”. Significa alinhar-se ao nosso “centro de gravidade mental”. E, como sabemos que a palavra “espírito” significa “essência”, “âmago“, “o mais refinado e sutil”, podíamos até chamar este centro de “centro de gravidade espiritual”. Isto significa que, estar alinhado com “nosso espírito” não significa nem ficarmos parados sem fazer ou possuir nada, como muitos ascetas fazem, e nem estar diuturnamente ligados no “fazer o bem”, em atuar para o outro em detrimento a si mesmo. Significa manifestar o melhor possível aquilo que pensamos, sentimos e fazemos que entendemos ser o que nós temos de melhor, em nosso interior, em nosso âmago.
E, da mesma maneira como todos os planetas “se sustentam” uns aos outros no espaço através de seus centros de gravidade físicos, e não poderíamos retirar um só planeta de órbita sem afetar a órbita das estrelas mais distantes, que provavelmente todos os “centros de gravidades espirituais, os nossos “EUs Pessoais” também se interconectam, de alguma forma sutil, afetando uns aos outros. E não se pode chamar a isso meramente de telepatia, e sim de um tipo de “campo de gravidade espiritual” forjado pelas relações de forças de pensamento destes eus que são só conceituais, sem presença identificável, mas que se manifestam da mesma forma como os centros de gravidade se manifestam, como deformações no espaço-tempo… . E poderíamos até, supor, que além de deformações no espaço e no tempo, que a “matéria-energia” quantificada e observável apresentam, as deformações sutis deste “campo de eus pessoais” poderiam afetar possivelmente a própria INTENCIONALIDADE do Universo, as relações de significado que os pensamentos e sentimentos emprestam, como uma nova “casca” de interpretações ao universo. Talvez aí, nesta fusão de Eus, que não poderíamos, sim, encontrar a idéia de D-EUS?
Isto é, a soma de todos os pensamentos e sentimentos e intenções e significados, de todas as mentes, conscientes ou não, em todo o Universo, criam também a certeza da presença de um fulcro de “gravidade espiritual universal”, uma espécie de “centro do universo”, que poderíamos chamar de D-EUS… E assim, com a mesma certeza de que possuímos um hipotético “centro de gravidade espiritual pessoal” chamado “EU”, poderíamos aceitar o “centro de gravidade espiritual universal, chamado “DEUS”.
Partindo destas ilações, não totalmente matemáticas, mas uma cadeia de silogismos perfeitamente aceitável, poderíamos considerar uma “evidência de Deus” a própria percepção de unidade de nosso “Eu Pessoal” que identificamos em nós. Quer melhor prova científica da existência de Deus do que esta evidência perfeitamente replicável por qualquer indivíduo consciente, em qualquer lugar da terra, no próprio laboratório de suas mentes?
Basta fechar os olhos e sentir a presença deste “campo de gravidade espiritual”, puxando cada pensamento e sentimento nosso suavemente… em nosso interior…. dirigindo e sintonizando cada um deles… Não é uma presença real – nossos pensamentos comportam-se mais como um cardume de peixinhos onde cada um têm uma existência separada, mas costumam fazer evoluções em conjunto – mas é suficientemente comprovável para que a usemos como hipótese de trabalho – possuímos, ou melhor, somos um EU espiritual presente e atuante em todo o Universo, através das relações cósmicas dos nossos “campos de gravidade espiritual”, em relação ao grande “campo espiritual” que é a junção de todos os EUS.
Esta compreensão – praticamente um satori ou iluminação – nos ajudaria a compreender como alinhar o SER como manifestação da relação entre o eu e o mundo, integrando o FAZER e o TER dentro do SER. Como todos os eus estariam integrados neste enorme “campo espiritual”, logicamente cada um de nossos pensamentos, sentimentos, atitudes e crenças também sofreriam a sutil e delicada influência espiritual de todos os outros “eus espirituais” espalhados em todo o universo….
E facilitaria entender como a nossa Auto-Estima é uma sensação interior tão importante para nós mesmos, para o nosso equilíbrio psicológico e até fisiológico. Este sentimento é como um ”giroscópio”, um balanço, que nos faz sentir o nosso alinhamento com o nosso centro de gravidade espiritual – o nosso EU. Existindo ou não existindo como realidade observável, de forma prática ele nos afeta, como conceito, e o seu alinhamento com o grande campo espiritual é necessário, para que tenhamos uma positiva sensação de Auto-Estima. Auto-Estima, neste sentido, acabaria se traduzindo, em seu fim último, em algo que muitos chamariam de “iluminação”.
Isso responderia também àquela célebre pergunta que muitos religiosos (e descrentes também) se fazem: “para quê um Deus todo-poderoso necessitaria criar seres individuais? Só para adoração? Não parece que ele precisaria de tal coisa”. A resposta seria melhor: a própria manifestação da conscientização do Eu Divino seria o Universo, em si mesmo, sendo algo intrínseco a manifestação dos “campos de interação deste Deus”, sejam gravitacionais, magnéticos e espirituais, sendo aí incluídos os Eus de todos os seres. Isto é, o Universo é Deus pensando.
Antonio Azevedo
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Uma parte destas idéias veio de minhas reflexões noturnas enquanto eu fazia os cursos de Auto-Estima e Controle Mental Avançado, do Método Silva de Controle Mental, dado por Omar Mustafá, em São Paulo, outubro 2002 mais o artigo lido intitulado “Você é uma Ilusão”, na Revista Galileu, outubro 2002.